Os sabores mudam conforme a combinação de aminoácidos!
Os aminoácidos têm diversos sabores, como dulçor, salinidade, amargor, acidez e umami. Existem, por exemplo, aminoácidos doces como a Glicina e a Alanina e outros com gosto amargo, como é o caso da Valina.
A combinação de aminoácidos com sabores específicos é um fator decisivo no gosto dos alimentos. Sabemos, hoje, pela medição do teor de aminoácidos presentes nos alimentos, que os sabores que sentimos estão fortemente relacionados aos tipos e quantidades de aminoácidos neles contidos.
Por que o tomate maduro é tão gostoso?
À medida que o tomate vai amadurecendo, ganhando sua cor vermelha sob a luz do sol, o seu teor de açúcares e aminoácidos vai aumentando e assim, o tomate fica mais gostoso. O sabor do tomate não seria o mesmo sem o Glutamato e a Asparagina naturalmente presentes nele. Removendo o Glutamato, o tomate fica com gosto parecido com o de um suco de maçã bem aguado ou de uma ameixa meio azeda. A proporção de aminoácidos também é um ponto importante: o tomate é mais gostoso e tem o seu gosto característico mais evidente quando a proporção entre o Ácido Glutâmico e a Asparagina é de quatro para um.
O sabor dos caranguejos, ouriços-do-mar e outras iguarias marinhas também provêm dos aminoácidos
Por detrás dos sabores dos frutos do mar, está um aminoácido: a Arginina. Os apreciadíssimos caranguejos-das-neves têm o seu sabor peculiar graças a alguns poucos aminoácidos, ácidos nucleicos e sais minerais. A Arginina, um aminoácido amargo, tem um aroma característico associado aos frutos do mar.
O sabor dos ouriços-do-mar é proveniente principalmente de cinco tipos de aminoácidos. Misturando-se esses cinco aminoácidos na mesma proporção encontrada nos ouriços-do-mar, somos capazes de reproduzir com notável perfeição o sabor dessas iguarias. A Metionina é um aminoácido muito amargo, mas é o ingrediente-chave no aroma tão característico dos ouriços-do-mar; sem ela, seu sabor seria semelhante ao dos camarões e caranguejos.
Alimento fermentado é um manancial de aminoácidos
Nós, seres humanos, há muito tempo criamos e aprimoramos conhecimentos e técnicas para capturar, cultivar e conservar alimentos. E não nos limitamos apenas a conservá-los: passamos a preparar, cozinhar e processar alimentos para que pudéssemos comê-los com mais gosto e, assim, fomos desenvolvendo a cultura alimentar!
A fermentação foi uma das soluções para explorar o sabor dos alimentos; pois como as proteínas não possuem muito gosto, através da fermentação, os aminoácidos presentes nas proteínas da soja, peixes, leite, etc. são quebrados e liberados, proporcionando uma diversidade de sabores.
Alimentos fermentados são abundantes em aminoácidos e ricos em sabores, fornecendo aromas, atuando como temperos, dando identidade e sabor a diversos pratos culinários de cada região.
Proteínas quebradas produzem mais aminoácidos, deixando o alimento mais saboroso
Os leões, quando abatem presas na vida selvagem, inicialmente comem o pâncreas, o intestino delgado, o fígado e outras vísceras. A razão para esse comportamento é porque elas têm mais aminoácidos em comparação com os músculos - e, portanto, são mais saborosas. Dois ou três dias após os leões terem se afastado, hienas e outros animais vêm comer os músculos das presas, pois é exatamente nesse período que a quebra das proteínas dos músculos está mais avançada, produzindo mais aminoácidos e ácidos nucleicos, tornando a carne muito mais gostosa.
O mesmo acontece com o sashimi que comemos. Há quem diga que, quando o peixe é fresco demais, o sabor não é tão bom. A razão é idêntica: é somente entre 12 e 24 horas após o abate que o teor de aminoácidos e ácidos nucleicos presentes nos peixes aumenta, fazendo o umami atingir o seu pico.
*Recomendamos o aconselhamento de um profissional da área da saúde habilitado para indicação de suplementos ou medicamentos.